sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sobrevivi para Contar - Immaculée Ilibagiza




O conflito de 1994 em Ruanda – infelizmente tão pouco conhecido na história – sempre me despertou interesse. Após assistir ao filme “Hotel Ruanda” (que eu recomendo para todos vocês) fiquei com ainda mais vontade de saber mais coisas acerca do assunto, portanto comprei dois livros sobre o tema: Uma Temporada de Facões, de Jean Hatzfeld e Sobrevivi para Contar, de Immaculée Ilibagiza. Como ultimamente tenho estado com pouco tempo, resolvi começar pelo último. E não me arrependi. Pelo contrário: me perguntei porque demorei tanto tempo para lê-lo.

A jovem Immaculée, uma tutsi – assim como o resto de sua família – foi perseguida por radicais hutus que exterminavam os indesejavéis e opositores a golpes de facão. Durante a narrativa, é impossível não comparar o genocídio em Ruanda com o holocausto judeu. Até sanções por ser tutsi ela sofreu, que muito assemelham-se com as leis antijudeus dos nazistas. Também, assim como muitos judeus, Immaculée foi obrigada a esconder-se dos assassinos num banheiro minúsculo com diversas outras mulheres, sem falar, sem se mexer, sem fazer barulhos para não despertar suspeitas das outras pessoas que moravam na casa de um pastor hutu, que generosamente aceitou abrigá-las.

O que ajudou Immaculée a não perder sua sanidade e manter vivas as esperanças de sobrevivência foi sua fé em Deus. Católica fervorosa, a jovem chegava a orar em seu esconderijo por mais de 12h por dia. Não sou religiosa, mas acredito em Deus e atesto o poder que tem uma oração de nos trazer paz, calma e tranquilidade, sendo assim que para mim foi muito compreensível que o poder da fé de fato tenha salvado Immaculée.

A autora também relata a impotência da ONU e principalmente dos Estados Unidos com relação à situação dos milhares de tutsis que foram brutalmente assassinados no país. Ela revela que, anos depois, Bill Clinton – presidente dos EUA na época – irá reconhecer que poderia ter feito alguma coisa para auxiliá-los. Poderia, mas não fez, né? Como a própria Immaculée diz, não resta nada a ela senão perdoar. O que nos consola é que no final Immaculée sobrevive milagrosamente ao massacre, mas chega a ser inacreditável, porque ela esteve a ponto de morrer diversas vezes.

Recomendo fortemente a leitura, porque além de conhecer melhor um conflito ainda desconhecido por muitas pessoas, você lerá uma linda lição de vida, de esperança e terá sua fé na humanidade renovada, tamanha a humildade de Immaculée em perdoar todos aqueles que tanto lhe fizeram sofrer.

4 comentários:

  1. Fiquei extremamente comovida apenas com a tua resenha e este parece ser um daqueles livro que todos deveríamos ler, pelas lições maravilhosas e para refletirmos sobre nós mesmos.
    Ainda hoje muitos países têm seus conflitos e as potências econômicas e militares que poderiam fazer algo por estas pessoas simplesmente fecham os olhos. :/
    Adorei conhecer este livro através do teu blog, pois creio que se não fosse isto, eu jamais o conheceria.
    Parabéns pelas palavras belíssimas que usaste!

    Beijos,
    Samy. - http://samyaquino.blogspot.com

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  2. Oi, Karen
    Sou a autora do livro Sexto Sexo.
    Só hoje consegui ter acesso à sua mensagem no Facebook. Ele classificou a mensagem como spam e até então eu não sabia ver o que estava bloqueado.
    Uma pena eu só ter visto hoje.
    Abraço!

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    1. Fernanda, eu já li o teu livro, só não tive tempo ainda de resenhar (estudos pro vestibular e tal). Caso ainda esteja interessada, eu posso fazer a entrevista contigo para divulgar o teu livro. Beijos!

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  3. Foi muito pouco divulgado o caso de Ruanda. Mas o livro que conta sobre os fatos que aconteceram naquele dia, ainda não li, vou aceitar a sugestão.

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