domingo, 26 de agosto de 2012

O Filho Eterno - Cristovão Tezza



Devo dizer que esse livro me decepcionou. E muito. Ao concluir a leitura, estava morrendo de raiva da personagem principal – que, ao contrário do que todos pensam, não é o filho, é o pai – e fiquei com mais raiva ainda quando descobri que o livro é autobiográfico.

Primeiramente porque o livro parcamente fala do filho. O autor desfia sua vida inteira durante toda a história – não que isso não seja relevante, mas ele foi superior ao filho o livro inteiro – e o filho do qual deveria falar o livro, só ganha maior destaque nas partes finais. Totalmente contraditório com relação ao título da obra. Chega ser engraçado porque ele mais evita o filho do que fala dele.


O autor permanece nos mesmos sentimentos, nos mesmos pensamentos a história inteira. Ele só se lamenta, fala de suas frustrações e fica só nisso. Álias, o título deveria ser “o lamento eterno” porque né.

Creio que esse livro seja tão aclamado porque é uma história real – Tezza relatou com extrema sinceridade o que sentiu ao ter um filho com síndrome de down. Ele chegou a pensar até em MATAR o filho porque simplesmente não o aceitava. Ficava fantasiando doenças que ele poderia desenvolver para morrer cedo. Poxa, sei que deve ser complicado ter um filho especial, mas isso já é demais. Se eu tivesse um filho com down, eu o amaria mais ainda e não ficaria desejando sua morte precoce, como fez o autor em grande parte do livro.

Além do mais, não curti muito a narrativa do livro, o modo como o autor escreveu a história. Achei bem maçante. Mas esse não é o grande problema da obra: se tivesse sido tudo o que prometia (com tantos prêmios e mimimis) eu não teria me importado com esse detalhe. Mas querer matar o filho só porque tem down e ficar falando só de si enquanto deveria focar NO FILHO foram as gotas d’água pra mim.

Eu tinha grande expectativa com esse livro – tanto é que citei ele em outra resenha de livros obrigatórios da UFRGS – porque quando li que falava da relação entre pai e filho com down, fiquei animada, pensei que iria ver uma história de amor e tudo o mais, mas vi exatamente o contrário. Só vi a história inteirinha do pai (culpando a esposa pelo filho deficiente, bebendo pra esquecer, se lamentando por cartas de recusa de editoras) e só vi parcamente o filho no final – e esse só ganha destaque porque acaba fugindo e se perdendo. Fico me questionando: se o filho não tivesse fugido, ele teria ganhado esse pequeno destaque?

Não recomendo. Esse livro entrou no meu hall de obras “não entendo porque fez o sucesso que fez”.

Um comentário:

  1. Este livro estava nos meus planos de leitura, justamente pelos prêmios literários conquistados, que lhe causaram incompreensão. Após ler sua resenha, desisti. Obrigado, por me privar deste embaraço.

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