domingo, 15 de julho de 2012

Bate papo com o autor: Adelson Correia da Costa


Adelson Correia da Costa é administrador de emprestas. Natural de Recife (PE), ele conta que “As Flores do Ruanda” surgiu a partir de um conto que escreveu sobre o assunto. O livro é seu primeiro romance e revela que já tem planos sobre o segundo lançamento. Confira a entrevista!

A Última Canafístula: de onde surgiu a ideia para escrever esse romance sobre o massacre em Ruanda?

Adelson: em 1994 escrevi um conto chamado “Chope no Lebron”, que versava sobre a atuação de uma médica em um campo de refugiados do genocídio ruandês no Congo. Anos depois, em 2009, abri meu baú e resolvi mexer neste trabalho. Daí surgiu o romance As Flores do Ruanda.


A Última Canafístula: esse conflito em Ruanda é, infelizmente, pouquíssimo conhecido. Ao escrever esse livro, sua intenção foi chamar a atenção dos leitores sobre esse capítulo da história?

Adelson: chamar atenção para os problemas enfrentados no passado recente pelo povo ruandês eu estou conseguindo, mas esta não foi a minha motivação para escrevê-lo. Escrevi este livro porque esta história apareceu, oportunamente, em minha imaginação. Pressenti que o livro encaixara-se em minha mente e segui adiante. Foi escrito por uma motivação pessoal e não social. É um romance que foi feito para encantar, não para doutrinar. Evidentemente, quem o lê adquiri conhecimentos acerca de Ruanda e motivação para aprender mais da história ruandesa.

A Última Canafístula: além de seu livro, temos o conhecido filme “Hotel Ruanda” e também os demais livros “Uma Temporada de Facões”, “Sobrevivi para Contar” e mais alguns outros relatos como testemunhos desse terrível genocídio. Essas diferentes obras te influenciaram de alguma forma?

Adelson: “Sobrevivi para Contar” de Immaculée Ilibagiza é posterior ao As Flores do Ruanda e não pude usá-lo como matéria de pesquisa. Ele é um testemunho de uma sobrevivente. Há muitos na internet. Li, pelo menos, uns oitenta depoimentos de pessoas que estiveram entre a vida e a morte e conseguiram escapar das garras do genocídio. Estes relatos me marcaram profundamente e influenciaram o ritmo de minha extroversão criativa. “Uma Temporada de Facões” de Jean Hatzfeld também consta de depoimentos, mas no caso de perpetradores das matanças do genocídio ruandês e não de vítimas. Li-o quando já tinha todo o meu livro escrito e pronto para edição. Usei-o para aparar algumas arestas de minha história e para enriquecimento de um cenário composto: através dele descobri que a vegetação predominante nos pântanos de Bugesera, na região de Rukara, é composta de papiros. Isto me serviu de inspiração para enriquecimento vocabular e ajuste ambiental por onde se desenrola uma cena em particular do meu romance. Há outros livros que li e que me ajudaram de forma indireta a compor o meu. Existem quatro filmes principais sobre o genocídio ruandês: Hotel Ruanda, Atirando em Cães, De mãos Dadas com o Diabo e Aconteceu em Abril. Destes, o mais conhecido no Brasil é o primeiro, mas o melhor é Aconteceu em Abril, ainda não disponível em português.

A Última Canafístula: para escrever esse livro, com certeza, você deve ter realizado um árduo trabalho de pesquisa histórica. Como foi esse trabalho? Em que você se baseou?
Adelson: fui privilegiado porque, sem saber, escolhi um assunto para o qual há farta documentação e material disponível na internet. As nações ricas ocidentais carregam um sentimento de culpa por terem deixado a situação política e social de Ruanda chegar ao ponto em que chegou. Talvez, por isto, os intelectuais desta parte do mundo produzam tanta matéria sobre o assunto. Basta navegar na internet que se encontra uma fonte riquíssima de informação. Costumo dizer que o meu romance foi escrito a partir do último golpe de facão dado em 1994. Toda a sua matéria original estava exposta e espalhada por livros e sites, esperando que alguém percebesse isso e observasse este acervo bagunçado com olhos clínicos de escritor. Logicamente, houve um pré-requisito: o conhecimento de inglês e espanhol, ao menos. Penso que um dos motivos, no Brasil, para sabemos pouco do genocídio ruandês, é a escassez de artigos em nosso idioma. Devo também, gratidão a um casal de missionários dos Estados Unidos, que atuava entre os twas (pigmeus africanos). Eles possuíam um site, mas tiraram do ar. Por exemplo, em certa ocasião, eu precisava saber quais tipos de ervas medicinais os pigmeus usavam. Perguntei aos missionários, que estavam no Congo na ocasião. Lembro-me bem da resposta:

“Vou pesquisar melhor isto para você, mas posso lhe adiantar que eles gostam muito de fumar maconha.”

Geralmente, quem lê este romance, cobra-me uma continuação da história. Se ela vier, será ambientado na guerra do Congo, desdobramento do genocídio ruandês.

A Última Canafístula: além de escritor, que outras atividades você realiza? Ou dedica-se somente ao meio literário?

Adelson: sou formado, administrador de empresas e administrador postal. Exerço esta atribuição em uma empresa pública federal. Minha formação foi inusitada, pois fui um jovem inquieto e rebelde. Frequentei algumas faculdades sem concluir o curso. Costumo dizer: não sei tudo mais conheço um pouco de tudo. Estudei direito, economia, engenharia e letras, com uma gama ampla de disciplinas cursadas. Creio que tenho uma boa visão geral do mundo.

A Última Canafístula: para encerrar, fale brevemente sobre sua obra para nossos leitores. Agradeço sua participação e sua gentileza ao aceitar ser nosso parceiro! Grande sucesso em sua jornada!

Adelson: sou incompetente para avaliar o que produzo, porém posso traçar algumas linhas gerais, neste caso específico. As Flores do Ruanda não é um livro para se ler por diversão. É uma obra profunda que agrada a quem lê por hábito. É uma leitura intensa, pois o livro descarrega pressão psicológica no leitor até o final. Com certeza, um livro para emocionar, indignar-se e nos fazer refletir sobre alguns conceitos que, erroneamente, julgamos inalienáveis acerca da experiência humana como criatura de Deus.
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Espero que gostem! Até a próxima!

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