domingo, 15 de julho de 2012

Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida




Olá! Cá estamos nós de novo! Dessa vez para resenhar sobre mais um livro das leituras obrigatórias do vestibular da UFRGS 2013! O livro analisado da vez será “Memórias de um Sargento de Milícias” de Manuel Antônio de Almeida, um dos livros mais legais da lista!

Devo dizer que antes da leitura, tive a sorte de assistir a aula da Greice (minha professora de literatura do cursinho) em que ela falava justamente sobre esse livro, então com as explicações dela e tudo o mais, deu ter uma noção maior do que eu estava lendo. Portanto, para quem tem dificuldade com uma linguagem mais coloquial, leia um resumo ou pegue um guia de leitura do livro antes, com certeza irá ajudar na compreensão.

A história do livro em si é simples, nada de muito apaixonante, o mais importante da obra é que o autor inseriu ali muitos aspectos até então inéditos na literatura daquela época.

Primeiramente, por ser um romance sem romance: não tem aquela do herói, mocinho tentando conquistar a mocinha e todo aquele blábláblá típico de “A Moreninha” (primeira obra do romantismo brasileiro, de Joaquim Manuel de Macedo). Leonardo mostra-se um vadio completo e com um jeito pra lá de bom para se meter em confusões, mostrando ter puxado ao pai, Leonardo-Pataca, além de ser meio galinha (primeiro a Luisinha, depois a Vidinha, depois a mulher do Toma-Largura e lá vai pancada). Essa é a primeira característica que difere a obra de Almeida das demais daquele tempo.

Outra característica marcante é a narrativa do autor: crua, sem rodeios. Gostei pra caramba disso! Apesar de ser uma narrativa um pouco rebuscadinha, o autor não faz meia-volta: vai direto ao ponto e não narra nada há não ser o explicitamente necessário. Exemplo clássico do que estou falando é o final do livro:

“... e mais uma enfiada de acontecimentos tristes que pouparemos aos leitores, fazendo aqui o ponto final.”

Curti muito isso, porque a característica normal das obras daquela época é ter autores com linguagem rebuscada e que adoooram se prolongar o máximo possível, coisa que Manuel Antônio de Almeida não fez (os vestibulandos agradecem!).

O autor ainda faz uma crítica ao Romantismo, já que as personagens não se apaixonam de forma romântica e amorosa como era esperado; as paixões aconteciam dos jeitos mais estranhos possíveis, como o beliscão de Leonardo-Pataca e Maria das Hortaliças e a paixonite esquisita que sentiu Leonardo ao ver Luisinha pela primeira vez, mesmo sendo ela uma completa desengonçada.

Outro ponto crucial da narrativa (creio que o mais importante, que tenha marcado a obra como um clássico) é que o autor expõe bastante como eram os costumes da população luso-brasileira durante o Brasil Colônia: como as pessoas influentes conseguiam o que queriam através de favores com pessoas importantes, críticas ferrenhas à igreja, o casamento como meio de conseguir riquezas, o interesse dos outros na vida alheia, um e outro costume que o autor ironiza, outros que já se perderam e o autor lamenta (há muitas dessas lamentações durante a história) e a falta de pudor de alguns, como é no caso da personagem Vidinha. A gente pensa que era tudo lindo e maravilhoso naquela época... Pois esse romance contradiz tudo isso. Talvez seja por isso que o autor tenha publicado o livro pela primeira vez sob o pseudônimo de “um brasileiro”, sendo apenas publicado com seu nome após a sua morte.

Além da UFRGS, os vestibulares da FUVEST e da UNICAMP também estão exigindo a leitura desse livro. Para quem irá fazer vestibular é uma leitura indispensável e para quem não vai vale a pena ler, desmascara muito a visão errônea que temos sobre os costumes daquela época!

Até a próxima!

3 comentários:

  1. Parabéns pela resenha Anne! Já li Memórias de Um Sargento de Milícias e curti bastante. Beijos!

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  2. Olá
    a resenha está ótima, parabéns !
    Eu li esse livro e p ser sincera achei tão cansativo quase não terminei, tenho que concordar quando vc diz q o livro possui características marcantes e que a história em si é simples.
    Bjs

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  3. Eu já li esse livro no fim do ano passado, eu tinha ele desde o ensino médio, eu deveria lê-lo para fazer uma prova na escola mas no fim nem li, pra mim naquela epoca clássicos ainda eram chatos. Como agora eu já perdi meus preconceitos com os clássicos decidi lê-lo, e não achei nada demais, deu para ler numa boa até o fim mas o livro não tem nada de mais, considero dispensável.
    Abraços.

    http://viciadoemlivrosefilmes.blogspot.com/

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