quinta-feira, 28 de junho de 2012

Vinho & Guerra - Don e Petie Kladstrup



“Vinho e Guerra” é um relato muito diferente de todos que já li sobre a Segunda Guerra Mundial. E acho que essa frase pode servir para todos que já leram esse livro! Trata-se de uma obra que foi feita a partir de entrevistas que os autores fizeram com produtores de vinho da França e souberam encaixá-las perfeitamente no enredo de um livro, com uma linguagem interessante e simples. O que mais me chama a atenção é que eles não colheram essas informações e depois fizeram um livro de ficção, como muitos autores fazem. Eles conseguiram fazer de suas entrevistas um livro muito bom e diferente de todos que já li.

Mas... Por que fazer um livro sobre produtores de vinho da França? Simples: eles foram até vários chateaux das mais famosas cidades vinícolas da França entrevistar as pessoas ainda vivas – e também descendentes dessas pessoas, ou seja, filhos, netos ou bisnetos – que viveram os terríveis anos de ocupação alemã na França. Porém, esse livro mostra outro lado da ocupação alemã: como ela afetou os produtores de vinho franceses e as pessoas que moravam em cidades vinícolas da França. O livro, além de nos mostrar capítulos completamente desconhecidos da Segunda Guerra Mundial, levanta várias questões curiosas, como porque Hitler, que tanto detestava vinho, fez questão de saquear ao máximo possível o famoso vinho francês.

Além de narrar as duras condições impostas aos produtores de vinho franceses pelos ocupantes alemães, nos mostra outras histórias de vários produtores que burlavam as rigorosas fiscalização nazista e enviavam aos soldados alemães, no front russo, o pior vinho do qual tinham, com péssima fermentação e um gosto e aroma intragáveis. Mesmo com a intenção de não ajudar a máquina de guerra alemã enviando vinhos estragados ao front, os produtores admitem que era praticamente impossível fazer um vinho de boa qualidade naquela época, já que a escassez de matérias-primas estava em seu auge. Sem falar nas videiras, que sofriam mais do que qualquer outra coisa naquele tempo e assim, não produziam uvas, pelos mais diversos fatores.

O livro também mostra a ação da resistência francesa nas zonas vinícolas da França, com as constantes sabotagens que tanto irritavam os alemães. Sem falar nos produtores de vinho que ajudam a resistência. Uma das histórias do livro fala sobre um produtor de vinho francês que precisava levar uma encomenda de vinho até a zona livre (ou zona não ocupada). Em algumas de suas viagens, levava pessoas escondidas em seus barris de vinho até a zona livre, para de lá fugirem para Londres, para juntar-se às Forças Francesas Livres, comandadas pelo general Charles de Gaulle.

Durante a narrativa, não é difícil encontrar passagens engraçadas sobre as sabotagens da resistência e dos próprios franceses aos alemães. Destaco as histórias do porquinho chamado “Adolf” e dos soldados alemães que beberam laxante puro, pensando sem Gim. Porém, o livro nos mostra também muitas passagens tristes e obscuras da ocupação: os saques e o colaboracionismo. Os produtores de vinho franceses, com medo de que seus melhores vinhos fossem saqueados e passassem a figurar na adega de Hermann Göring – o gordo bonachão que liderava a Luftwaffe (força aérea alemã) – construíam paredes para esconder seus vinhos  – dos quais muitos eram raridades – dos nazistas. Já o colaboracionismo é tratado de forma muito delicada no livro, já que muitas pessoas se recusam a falar sobre esse assunto na França atualmente e não é para tanto. Estima-se que mais/menos 200.000 pessoas foram levadas aos tribunais franceses acusadas de colaborar com o inimigo. Além disso, vemos a história dos prisioneiros de guerra franceses no campo de prisioneiros – que era muito diferente de um campo de concentração, já que os prisioneiros de guerra não eram submetidos aos trabalhos forçados – e dos homens alsacianos, que eram obrigados a servir ao exército alemão.

Recomendo esse livro a todos, pois nos mostra um outro lado da guerra do qual muitos desconhecem. Parabenizo o excelente trabalho jornalístico feito pelos autores Don e Petie Kladstrup por nos mostrarem uma história simplesmente deliciosa, num livro delicioso, tanto pelo vinho, pela cultura, pela história e pelas pessoas que são um verdadeiro exemplo de superação. Para os amantes do gênero, esse livro é de leitura indispensável, mas indico esse livro para todos. Mas para quem gosta bastante desse gênero, esse livro com certeza tem um gostinho a mais. Ótima leitura, eu amei ter lido!

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