sábado, 30 de junho de 2012

O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)


Confesso que poesia não é muito a minha praia. Até já li alguns livros de poesia que confesso ter gostado muito, mas nunca tinha lido Fernando Pessoa até então. Como está nas leituras obrigatórias da UFRGS 2013, eu tive que ler. Por um lado foi uma grata surpresa e por outro, um livro que me deixou meio confusa.


No começo da leitura, peguei-me com um sorriso nos lábios durante vários trechos. O autor faz citações realmente muito bacanas e que para mim encaixaram-se perfeitamente. Isso vai do ponto de vista de cada um, mas eu gostei bastante desses trechos. Aí vai um exemplo:

 “Sinto-me nascido a cada momento
 Para a eterna novidade do mundo.”

Porém, ao desenrolar do poema, o autor começa a se contradizer bastante. Isso me incomodou um pouco. Eu li o livro com uma caneta à mão, anotando tudo que me despertasse atenção. E a maioria desses escritos refere-se a contradições. Dentre elas, posso destacar o seguinte verso:

 “Passo e fico, como o universo.”

Essa pequena frase contradiz todo o poema, onde o autor afirma da primeira até a última linha que tudo deve ser esquecido, que nada deve ser pensado, que não gosta de lembranças, que nada deve permanecer.

Outra característica marcante é a grande paixão que o poeta demonstra pela natureza. Notam-se contradições também com relação à crença do autor em Deus. No começo do poema, ele dizia-se feliz, satisfeito. Com o final deste, ele afirma que nem sempre quer ser feliz, que a infelicidade é algo necessário. Sobre isso, ele afirma:

 “Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.”

Minha impressão de “O Guardador de Rebanhos” é de um livro bom, mas bem contraditório. As citações do autor são muito cativantes e consegui entender uma parcela do quanto às pessoas veneram Fernando Pessoa. Seu valor poético é inestimável, mas talvez eu não tenha me apaixonado por completo porque poesia não é muito pra mim.

Para encerrar, desejo boa sorte para quem também vai prestar vestibular para a UFRGS em 2013 (menos para os meus concorrentes ¬¬), me despedindo ao estilo de Pessoa:

 “Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.” 

Um comentário:

  1. Guria, poesia confundi qualquer um , hehe. Eu não gosto do estilo também, mas já li coisas boas de Fernando Pessoa, aliás, para mim é o melhor autor no gênero.

    Vanessa

    http://balaiodelivros.blogspot.com/

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