domingo, 17 de junho de 2012

Noite na Taverna - Álvares de Azevedo



“Noite na Taverna” pode ser considerado um livro normal para os padrões da sociedade atual (já vi gente fazendo coisa pior nos programas de pseudo-humor na TV comparado a esse livro) mas creio que na época em que foi publicado, deve ter causado o maior rebuliço.

Álvares de Azevedo previu isso e meio que deu “ares” europeus a sua obra. Todos os personagens e locais de acontecimento dos fatos são europeus. Com isso, quem sabe o autor queria fugir das possíveis perseguições que essa obra lhe traria, mas mesmo assim, dá para perceber o que ele de fato queria retratar: as perversidades que aconteciam em meio ao fumo e a bebedeira nas tavernas da época.

Ao longo da leitura, impossível não comparar esse livro a “Feliz Ano Novo”, de Rubem Fonseca. Eu tive a leve impressão de que Fonseca inspirou-se em Azevedo para escrever sua obra. Ambos os livros são contos que apresentam histórias cruas, chocantes. Mas a obra de Azevedo diferencia-se na escrita e também na falta de ironia e humor. A escrita de Azevedo mostra-se rebuscada em diversos momentos (tive que pedir ajuda da minha professora de literatura do cursinho para tentar entender alguns trechos; valeu Greice!), portanto algumas partes podem parecer confusas. Mas a partir do momento que essa barreira é transposta, a leitura é leve e até graciosa. Você sente-se uma verdadeira dama ou cavalheiro do séc. XVIII convivendo naquela sociedade déspota e pervertida (não muito diferente da nossa).

Recomendo a leitura do livro por seu grande valor histórico e pelos contos narrados, que são muito interessantes, criativos e que consegue te prender, fazendo você viajar pela época, conhecendo um pouco mais da sociedade, sentindo-se dentro da taverna, bebendo com os boêmios e relatando suas aventuras assassinas noite afora.

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