quinta-feira, 28 de junho de 2012

Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden



Memórias de uma Gueixa não é uma leitura das mais fáceis. Por isso, deixo o conselho: leia o livro de preferência quando você estiver em férias, com bastante tempo disponível, porque a leitura desse livro exige paciência e bastante concentração.

O livro, nas primeiras partes, é basicamente só narração. Esse, para mim, é o maior empecilho na leitura: a falta de diálogos, o que torna a leitura cansativa. É óbvio que eles aparecem – os diálogos – durante a narração, mas são bem raros. Só começam a se tornar mais comuns quando a história da encantadora Chiyo – ou Sayuri – começa a ganhar forma.

Apesar disso, a história do livro é linda e encantadora. Conta a história de uma menininha japonesa que vê sua vida transformar-se quando é obrigada a largar tudo para tornar-se uma gueixa. É claro que nada na vida de Sayuri é fácil durante todos os anos vividos no okiya. Ao desenrolar da narrativa, conhecemos a encantadora cultura e costumes japoneses e também a vida e o cotidiano das gueixas, praticamente extintas no mundo atual. Não é difícil ficar encantado conhecendo um pouco mais da rica cultura japonesa e não se deslumbrar com a beleza, a doçura e a delicadeza das mulheres japonesas. Essa história encantadora é marcada por conflitos, dor, lágrimas e também alegria. Um lindo exemplo de esperança e superação.

É importante deixar claro uma coisa: embora o livro dê a entender isso em algumas partes, as gueixas não são prostitutas de luxo. Uma gueixa vende sua arte e seu talento. Foram profissionais do entretenimento do Japão que antecedeu os duros anos de Segunda Guerra Mundial, até os okiyas serem fechados por ordem do Japão Imperial.

Emocionamos-nos com todo o sofrimento do qual Sayuri é obrigada a sofrer calada. O livro é uma ficção, mas às vezes me pergunto senão existiu, há muito tempo atrás, uma Sakamoto Chiyo ou uma Nitta Sayuri. Sem falar nas lindas citações dela, suas reflexões sobre sua vida: simplesmente perfeitas. São tantas ao longo do livro inteiro que não conseguiria destacar só uma para mostrar-lhes.

Além da narração um pouco cansativa, outra coisa que não me agradou muito no livro foi a tradução feita pela Lya Luft. Em alguns trechos, ela pecou.
E só para não perder o costume, não faltam polêmicas associadas a esse livro. O autor desse livro, Arthur Golden, se inspirou numa famosa gueixa do Japão para escrever esse livro, chamada Mineko Iwasaki, que concordou em contar sua história ao autor americano desde que seu nome não fosse revelado sob hipótese alguma, o que não aconteceu, já que o autor cita o nome dela nos agradecimentos finais do livro. Foi aí que tudo começou. Confiram a história toda:

 “As gueixas não são prostitutas. Não vendem seu corpo, mas sua arte.” Esse é o principal recado que Mineko Iwasaki, a gueixa mais famosa do Japão, dá ao mundo. Sentindo-se ofendida pelo modo como seu universo foi retratado em Memórias de uma Gueixa, primeiramente no livro e agora com o filme, ela resolveu ir aos tribunais norte-americanos processar Arthur Golden, autor da história, por difamação, quebra de contrato e violação de direitos autorais. Tudo começou quando Arthur Golden pediu entrevistas a Iwasaki para escrever seu livro. Ela concordou em revelar um pedaço do misterioso e inacessível mundo das gueixas, com a condição de não ter a identidade revelada. Uma menção ao seu primeiro nome nas páginas de agradecimento e as distorções de seu depoimento, no entanto, levaram Iwasaki a decidir contar sua própria história.

Se o Arthur Golden foi fiel à realidade histórica nesse livro, eu não sei, mas confesso que gostei da história que ele escreveu, achei linda. E concordo com um trecho escrito na contracapa do livro: “uma descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada por um homem.” Sem querer ser preconceituosa, mas nem parece que o livro, que tem como narradora uma mulher, foi escrito por um homem. E para encerrar, gostaria de deixar uma crítica para aquele filme que dizem que foi inspirado nesse livro de mesmo nome. Se Mineko se sentiu ofendida com o livro, não duvido que ela tenha desmaiado com o filme.

Tudo bem, o filme tem seus pontos fortes. As atuações dos atores? Perfeitas. Os figurinos? Impecáveis. Os cenários? Encantadores. Mas é incrível o jeito com que conseguiram deturpar a história encantadora e doce do livro. Portanto, não se iludam com o filme. Leia o livro, você encontrará uma história totalmente diferente, mais encantadora, simples e doce.

Detalhes curiosos do filme é que, mesmo a história se passando no Japão, a maioria dos atores do filme são chineses ou de outras nações asiáticas. A Ziyi Zhang é chinesa, assim como a Gong Li. A Michelle Yeoh é da Malásia. O ator que interpreta o Doutor Caranguejo é sul-coreano.  O único ator japonês que consigo destacar é o Ken Watanabe, que interpreta o encantador Presidente, simplesmente o melhor personagem do livro.

Outro detalhe curioso é que a Hatsumomo do filme é boazinha comparada à do livro. Vocês vão ver o que é uma vilã de verdade quando lerem o livro... Polêmicas à parte, leitura recomendada a todos!

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