quinta-feira, 28 de junho de 2012

Eu fui guarda-costas de Hitler - Rochus Misch com Nicolas Bourcier



Este é um livro que conta a história real de vida do único guarda-costas de Hitler ainda vivo: o alemão de 94 anos, Rochus Misch.

O livro foi escrito da mesma forma que “Memórias de Anne Frank”: Rochus relatou suas lembranças ao jornalista francês Nicolas Bourcier – que escreveu a obra baseado nas entrevistas que teve com Rochus – como se o próprio Rochus Misch houvesse escrito o livro.

Essa obra mostra com riqueza de detalhes o dia-a-dia na chancelaria do Führer: o trabalho e a rotina diária vista aos olhos de um homem que esteve ao seu lado desde a ascensão do nazismo até os últimos dias do terceiro reich. Mostra e conta detalhes que só os mais chegados poderiam saber. Um verdadeiro “prato cheio” para quem gosta desse tema, como eu.

Além de Rochus relatar os bastidores do terceiro reich em seus momentos bons e ruins, ele cita um dado muito curioso e até importante: o modo exagerado como foi retratado o famoso filme A Queda (Der Untergang), baseado no bestseller – até hoje não consegui entender o sucesso de um livro tão cansativo – do historiador Joachim Fest. No final do livro, ele afirma que em momento algum houve festas e beberagem no bunker da chancelaria como foi retratado no filme. Reclama por nenhum historiador - que trabalhou no roteiro ou na produção do filme - ter falado com ele e sua crítica ao filme se resume em “um drama de opereta”.

No começo do livro, Rochus conta um pouco sobre sua vida antes do ingresso na “carreira nazista”: a perda precoce dos pais e a vida como pintor, até entrar para a Verfügungstruppe, a antecessora da SS-Leibstandarte de Hitler. Participou das campanhas de ocupação da Tchecoslováquia e da Áustria – inclusive relatando em seu livro a facilidade da qual as tropas alemãs tiveram durante as ocupações – até ser ferido gravemente durante a invasão alemã na Polônia. Como era órfão e não tinha família – na época, ele apenas tinha uma namorada, chamada Gerda -, seu líder de companhia decidiu mandá-lo para trabalhar definitivamente em Berlim, onde foi designado a ser um dos ajudantes de Hitler e de seu alto-comando. Sendo assim, Rochus acompanhou Hitler em quase todas as suas viagens durante a guerra.

Rochus relata paralelamente em seu livro sua vida pessoal e profissional. Desde seu casamento com Gerda e o nascimento de sua filha Brigitta; o presente de casamento que ganhou de Hitler com um cartão assinado pelo próprio, desejando felicidades até mesmo uma visita que fez à Paula Hitler - irmã de Hitler – na capital austríaca Viena.

Recomendo esse livro a todos que gostem do assunto tratado nele ou não, pois além de ser uma rica fonte de pesquisa e informação, mostra outro lado das coisas, outro olhar do terceiro reich, visto por uma pessoa que vivenciou tudo o que aconteceu na chancelaria em Berlim e no Führerbunker até os últimos dias do regime nazista.

Porém, algumas coisas não passariam despercebidas aos meus olhos. No final do livro, Rochus lamenta o distanciamento com sua filha, Brigitta. Diz que ela não fala com ele, que ambos não têm contato um com o outro. É claro que isso atiçou minha curiosidade e imediatamente fui para a internet. Ao pesquisar melhor, confesso que não consegui engolir algumas declarações do autor do livro. Em seu livro, ele diz não ter ligação nenhuma com o nazismo, mas em uma entrevista disse que não se arrepende de ter se juntado à SS: "Não. Eu me juntaria de novo imediatamente. Foi a melhor tropa que já existiu". No mínimo, estranho.

Outra coisa que não passou despercebida aos meus olhos, é que ele, no final do livro, se mostra horrorizado com as atrocidades nazistas que ocorreram nos campos de concentração com os judeus e diz desconhecer todos os crimes de guerra cometidos pelo regime nazista. Mas... Sua falecida mulher, Gerda Misch, era judia - algo que ele não sabia - e quando soube disso, teria ficado furioso, ao contrário de sua filha Brigitta, que se converteu à religião, aprendeu hebraico e educou os filhos numa escola judaica. Para mim, aí está o verdadeiro motivo pelo afastamento dos dois. No livro, ele diz não saber o motivo do afastamento de sua filha, mas para mim, está bem claro.

Se fosse para dar nota para o autor - a pessoa em si -, acho que daria duas estrelinhas, pois ele parece se esconder na sombra de um bom homem. Apesar de não ter participado das atrocidades nazistas e nem de ter ferido ninguém, de nunca ter se afiliado ao NSDAP – partido nazista – e de sequer ter disparado um tiro com sua arma, essas tais declarações que acabaram vazando na imprensam se encaixam perfeitamente com o caso de afastamento de sua filha.

Assim como disse o Tom Cruise na época das gravações do filme Operação Valquíria, eu também acho que o mal continua mal. E não deixa de ter verdade nisso aí. Ele se recusou a conhecer Rochus Misch e eu concordo, pois as declarações dele não se parecem nem um pouco com aquele homem bonzinho que vemos no livro. E com essa leitura, você realmente se ilude, pois pensa que ele era realmente um homem bom, um homem certo. Mas não foi bem assim não.

A repercussão das entrevistas de Rochus foi tanta que até S.E. Castan - famoso (?) revisionista brasileiro - postou as declarações em seu blog, onde Rochus dizia que Adolf Hitler era “um bom homem, correto e cheio de carisma”. Hum, tá. Mas como é para avaliar a história, cinco estrelas. Pelos detalhes, pela riqueza de informações e por um outro olhar do terceiro reich.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Tem um video em que aparece a filha dele.
    http://www.youtube.com/watch?v=kA2xKJax5xY
    Conheci um dos netos dele que, ironicamente, tem o mesmo nome dele Rochus Jacob. Ele é designer e mora nos EUA, estranho, mas no site dele, um dos simbolos que aparece é os raios da SS.

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