domingo, 24 de junho de 2012

Cotoco - John van de Ruit


Cotoco é o livro mais engraçado que já li, sem sombra de dúvida! Esse livro do escritor sul-africano John van de Ruit rende muitas risadas, mas o final deixa a desejar. Confira porquê!

ATENÇÃO: essa resenha contém SPOILERS, citações que revelam partes cruciais do enredo! Leitura recomendada apenas para quem já leu o livro!

Juro que tentei fazer uma resenha livre de spoilers, mas foi impossível. Para explicar porque não gostei do final e porque ele não convence, é impossível não fazer spoiler (pelo menos para mim foi). Recadinho dado, então vamos lá!

Confesso que não tinha muita animação para ler esse livro. Curiosidade tinha, e muito, mas animação não. Tanto é que o livro ficou uns 3 ou 4 dias parado na minha mesinha de cabeceira, sem nem ser tocado. Mas quando finalmente o peguei, não consegui mais largar!

O cenário em si do livro já é instigante. África do Sul, 1990. Mudanças politicas ocorrem. O apartheid e a segregação racial parecem estar próximos do fim. Nelson Mandela é solto da prisão e começa uma nova fase no país, chamada de “A nova África do Sul”. Em meio a todas essas mudanças, um menino chamado John Milton vai morar e estudar num internato (não sei como chamam esses lugares onde se estuda e mora ao mesmo tempo) somente para garotos. E é aí que a diversão começa.

Não imaginava que o livro seria tão engraçado. Assim que você começa a ler, é impossível interromper a leitura e segurar o riso. Soltava uma gargalhada sempre que o Vern (Rain Man) arrancava um tufo de cabelo. Morria de rir com os pais loucos do Cotoco (Apelido que John Milton ganhou dos seus colegas de internato... Bom, vou poupa-los da explicação para o apelido) e com as loucuras da Wombat. Todos os personagens eram engraçados e rendem boas risadas. Enfim, se eu fosse mencionar cada momento engraçado do livro, não iria concluir essa resenha tão cedo – sem falar que cada um enxerga o humor de uma maneira diferente. Portanto, fica o registro de que o livro é uma verdadeira comédia. Só pelas risadas que se dá, já vale a pena a leitura. E sim, passei vergonha, porque li o livro em locais públicos e tive que segurar a gargalhada em diversos momentos.

O livro segue nesse ritmo divertido e descompromissado até o meio da história. Acho que esperava que o livro fosse engraçado como um todo, por isso me decepcionei tanto. A partir do momento em que a Debbie (namorada do Cotoco) entra em depressão e ele começa a trair ela com a Amanda, não entendendo a situação dela (chegou a me dar um pouquinho de raiva o jeito incompreensivo dele com relação a ela) e quando entrou a fase do teatro, responsabilidades e tudo o mais, o livro saiu do enfoque onde era tudo engraçado e entrou numa fase mais séria. Isso me deixou meio decepcionada. Nada contra o livro ter tomado um rumo mais sério, mas seria legal se o humor tivesse sido mantido, o que não ocorreu. Acho que o autor me deixou meio mal acostumada com seu jeito sarcástico e suas piadas irônicas infalíveis, então quando o livro perdeu esse rumo foi impossível não ficar meio decepcionada. Foi aí que pontos foram perdidos comigo.

Outro baque terrível que tive foi com relação ao Lagartixa. O livro poderia MUITO BEM ter ficado sem a morte dele! Puxa, não eram os Oito Loucos? Após a morte desse personagem, o grupo passou a ser chamado de os Sete Loucos. PERDEU COMPLETAMENTE A GRAÇA. Você começa a ler com oito, fica acostumado com todos os oito e suas loucuras, travessuras, piadas, tudo... E do nada ficam apenas sete. Desculpem-me se pareço tola, mas pra mim perdeu completamente a graça. Não sei se é porque não estava preparada para esse novo rumo do livro ou não sei o quê... Só sei que pra mim esse foi o maior pecado do livro. E pra fechar com chave de ouro, o Vern, que era engraçado justamente pela loucura, começa a dar sinais de normalidade. E o final, então? Ele correndo de encontro ao carro... Já que as partes finais foram tão emotivas, o final poderia ser mais profundo, né? Ficou meio vago, tão sem nexo...

O que me deixa esperançosa – e decepcionada – é que o livro tem uma continuação, ainda não traduzida para o português pela Intrínseca (confesso que estou louca de vontade de ler em inglês, mesmo que não entenda nada). Dá certa curiosidade saber se a continuação é engraçada ou irá continuar no rumo sério que teve o final do primeiro livro. Não sei se vou achar muita graça em ver só sete loucos, mas estou torcendo para que o autor tenha consertado os erros do primeiro livro nas duas continuações seguintes.

Minha avaliação final foi com quatro estrelas, porque apesar de tudo isso, o livro é engraçado, tem personagens com os quais me identifiquei bastante – O Minhoca sou eu na versão masculina. Só falto surtar antes das provas, ainda mais agora, em época de vestibular – e também tem uma continuação, que me deixa meio esperançosa e curiosa com o que ainda pode ocorrer.

A impressão final que tenho de “Cotoco” é de um livro muito engraçado que sem dúvida vale a pena ler, mas que decepciona ao tomar um rumo sério demais, com perda quase total do humor com uma morte súbita e um final completamente vago. No aguardo pela continuação...

Um comentário:

  1. Nossa, amiga, eu abandonei esse livro. Não achei tanta graça assim como você e nem cheguei na parte que a história começa a tomar um rumo mais sério...

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