terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Desafio Literário 2012 – Janeiro: Livros Tristes – Livro Um: Apátrida

Apátrida, livro da autora brasileira Ana Paula Bergamasco, me surpreendeu muito. É, sem dúvida, um livro muito elogiado por todos e reconheço que ele está à altura desses elogios. Não é muito comum ver livros sobre Segunda Guerra Mundial escrito por brasileiros – ainda mais romances – então este livro foi uma surpresa bem agradável para mim, que amo esse gênero.

Eu também escrevo um livro sobre Segunda Guerra Mundial e só quem também o fez/o faz sabe o quanto é trabalhoso. Os trabalhos de pesquisa a serem feitos são árduos. Você acha que é só começar a escrever e pronto? Não. Há muita pesquisa a ser feita. Lembro-me de ter lido uma entrevista com a autora onde ela dizia ter demorado quatro anos para escrevê-lo. Não é exagero. É realmente difícil e foi com grande alegria que constatei que a Ana Paula fez um excelente trabalho. Não encontrei erros históricos ao decorrer da história, foi tudo muito bem estruturado por parte da autora. Outra coisa que me surpreendeu foi a realidade da história. Tinha vezes que eu me perguntava se era realmente um livro de ficção. A narrativa era carregada de emoção e pareceu-me, em muitos momentos, extremamente real. Mais um ponto a favor do livro.

Mas como todo o bom livro, Apátrida possui os seus defeitos. Seria injusto da minha parte só mostrar o lado bom.

Ao longo do livro, vi diversos erros de ortografia e digitação. Claro que não é culpa da autora e sim da editora e da pessoa que o revisou. Mas nada que uma segunda edição do livro não resolva. Espero que o livro faça bastante sucesso e haja uma reimpressão, pois esta edição deixou um pouco a desejar nesses quesitos.

Também acho que a autora poderia ter usado mais diálogos durante o livro. Confesso que há algumas partes na história que são bem cansativas justamente pela carência de diálogos – muita narração, muitos detalhes a serem descritos. O começo, por exemplo, é um pouco devagar... Mas no momento em que Irena muda-se para a Bielorússia com seu marido Rurik, a história pega um ritmo que te prende e você não quer largar mais. Isso acontece mais/menos na pág. 70. A partir daí os acontecimentos são surpreendentes e você não pára até chegar ao final.

Antes de concluir minha resenha, gostaria de registrar mais uma coisinha: concordo com todas as opiniões positivas a respeito do livro, mas li uma que julguei demasiadamente exagerada, de que Apátrida seria “o melhor romance sobre a Segunda Guerra Mundial”. Não me ofendam, mas Apátrida não é o melhor romance sobre Segunda Guerra Mundial. Apátrida não é, O Menino do Pijama Listrado não é, A Menina que Roubava Livros não é, A Chave de Sarah não é. Nenhum livro é. Por quê? É simples: A Segunda Guerra Mundial é algo que nenhum livro na história conseguirá explicar em palavras. A Segunda Guerra deixou milhares de vítimas e fez muita gente sofrer. Há milhares de histórias sobre ela por aí. Cada uma é única, seja de ficção ou não. São singulares e cheias de sentimentos. Todas devem ser valorizadas, mas NUNCA nenhuma estará à frente da outra. Todas são iguais: tristes, porém belas. Portanto, por mais que o livro seja bom, ele não é o melhor e nunca será. Há outras histórias por aí tão belas quanto esta que também devem ser valorizadas! Nenhuma nunca será superior à outra, pelo mesmo motivo do qual eu não sou melhor do que você e você não é melhor do que eu.

Eu, Karen Pereira, estudo Segunda Guerra Mundial desde os meus 12 anos de idade. Desde que ouvi falar da Anne Frank e li o livro dela, eu fiquei fascinada por esse tema e não parei mais. Se você olhar minha estante no skoob, metade dos livros que tenho é sobre isto. Leio livros, assisto documentários, vejo filmes. Minha mãe diz que sou doente. Mas não é isso. Álias, eu nem sei o que é. Apenas digo que sou muito exigente com livros sobre o tema e tenho um olhar 2x mais crítico quando leio obras do gênero... Ao começar a leitura, pensei que não iria gostar desse, mas que bom que me enganei. Apátrida é um livro muito bom. Espero que a literatura nacional continue crescendo e que mais livros sobre Segunda Guerra de escritores brasileiros apareçam por aí.

Parabéns, Ana Paula. Fica aqui uma ótima dica de livro para quem quer ter uma bela surpresa e se encantar. Recomendo!

11 comentários:

  1. Parabéns pela resenha Anne! Já li Apátrida e amei! Chorei litros com esse livro! Beijos!

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  2. Gosto de seu blog e do seu jeito de opinar...

    Uma dica, escureça as letras do blog para facilitar a leitura.

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  3. Sua resenha ficou muito boa!! Também li "Apátrida" e gostei muito!!

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  4. Primeiramente, parabéns pela resenha!
    Faz alguns meses que eu vi ótimas crítica a respeito desse livro. Foi aí que surgiu o interesse pra lê-lo. E hoje depois de ler sua resenha Anne, fiquei mais ansioso pra ter essa literatura o mais rápido possível em mãos.

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  5. Eu adoro romances dessa temática - além de ser fascinada pelo contexto histórico da Segunda Guerra Mundial. Eu já li O Diário de Anne Frank, e A Menina Que Roubava Livros, só falta O Menino do Pijama Listrado.

    Muito bem escrita a sua resenha. Eu não sabia que Apátrida era de uma autora brasileira, ainda mais sobre essa temática tão complexa! Gostaria muito ler =D

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  6. Ainda não li "Apátrida" porém gosto dessa temática de Segunda Guerra Mundial.
    Adorei sua resenha, você sabe expressar sua opinião de uma maneira clara e objetiva ;D
    Parabéns pelo blog, é ótimo! Estou seguindo. ;D
    Beijos

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Adorei sua resenha e fiquei com mais vontade de ler Apátrida!

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  9. ESTOU ANSIOSA PRA LER... APÓS ESTA RESENHA A VONTADE CRESCEU!
    VLW
    NI
    ciadoleitor.blogspot.com

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  10. Uau, adorei sua resenha *O*

    E concordo com você, de que nenhum livro de Segunda Guerra Mundial é melhor que o outro, já que essa guerra é dificil de descrever, seja pelos conflitos ou pelo sofrimento que muitas pessoas passaram.

    Eu também adoro livros sobre esse tema. Talvez seja pra tentar entender o que levou à tantas mortes, sem nenhum próposito.

    Enfim, ótima resenha. Pretendo comprar esse livro e O Diário de Anne Frank esse ano :)

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  11. Gostei muitíssimo da tua resenha sobre o livro e ainda mais em saber deste teu interesse sobre a Segunda Guerra Mundial. Este fato junto ao de que você gostou do livro, o coloca realmente no quesito de livros bons, afinal com um histórico longo de leituras e dedicação sobre o assunto te tornas uma entendedora. Gostei da maneira com que tu falaste do livro e fiquei mais interessada ainda.
    Tua resenha foi bem profunda e tua crítica ao fato de elegerem um livro melhor ou não sobre o assunto. Acho que não podemos julgar nenhum livro melhor do que outro, pelo fato de que cada um terá a visão particular do autor e a maneira dele falar sobre isso. Diferentes, únicos? Sim, mas nunca melhores. (:

    Beijos,
    @umalimonada - http://samyaquino.blogspot.com

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